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A mãe do Storyteller

Reza a lenda que o sultão persa Xeriar gostava mesmo era de casar. Não de manter a noiva, só de casar mesmo. Por isso acabava matando a sua esposa logo depois da noite de núpcias. Na verdade isso era só mágoa enrustida: Xeriar teria sido traído pela sua primeira esposa. Alguns homens traídos perdoam, outros terminam o relacionamento, outros matam a esposa e o Ricardão (e ainda podem se dar bem dizendo que foi um crime passional), e outros ainda viram gays. Mas o plano do rei era outro.

A partir daí ele decidiu casar com uma virgem por dia, passar a noite com ela, e mandar executá-la no dia seguinte. Segundo dizem, o malandrão perverso Xeriar já teria executado 3 mil mulheres. Depois de conseguir o título de maior viúvo e homem com mais sogras no mundo, o sultão conhece uma mulher chamada Sherazade, e decide que ela seria a próxima.

Na primeira noite, Sherazade quer apenas para se despedir da sua irmã, Duniazade (eita família pra dar nomes, hein?), que lhe pede uma “última história”. “Última história”?, pensou Xeriar “WTH?”, e resolveu ficar perto para ouvir. Sua esposa começar a contar uma história que vai ficando cada vez mais empolgante, e justamente na melhor parte ela para! Simplesmente para!

- E o resto da história?

- Hoje não meu bem… estou com dor de cabeça. Amanhã eu cotinuo.

Doido da cabeça, o sanguinário soberano decide dar mais uma noite de crédito para sua nova futura ex-esposa: “amanhã ela termina a história, e eu posso matá-la tranquilamente”.

Na noite seguinte, como prometido, Sherazade continua a história de onde havia parado, dando um final que surpreendeu e agradou seu marido. Mas obviamente ela não parou por aí, e começou uma nova história, tão emocionante e cativante quanto a anterior, e exatamente como na enterior… termina subtamente!

- Deixa eu adivinhar. dor de cabeça?

- Pois é, é uma praga… Amanhã eu continuo.
“Desgraçada! Me enganou de novo! mas da próxima noite não passa”. Claro, a próxima noite aconteceu exatamente a mesma coisa. A garota era boa nisso. Xeriar provavelmente foi o primeiro a experimentar essa sensação de fim de temporada do Lost, e saber que teria que esperar muito para o fim de uma ótima história. Assim foi por muitas e muitas noites. Mais precisamente por mil e uma noites. Espera, mil e uma noites contando histórias?? Eles não… bem, sabe…

Claro que sim. Só não me pergunte quando rolava isso. A lenda de Sherazade só trata da parte das histórias, mas o fato é que ela teve três filhos com Xeriar, o que fez com que ele largasse a “vida loKa”, e mudasse de idéia quanto a matar sua esposa.

Gary Gygax e Dave Arneson até merecem seu crédito no mundo de D&D, mas o storyteller (aquele estilo de RPG que trata mais de contar uma história legal do que da ação em si) teve uma mãe muito mais antiga.

Dare to be stupid

Dia desses, cerca de três da madrugada, e eu decido ver quem são os outros doidos que não precisam dormir. Entrei no messenger. Encontrei um amigo, o Altieres, supreendentemente bem acordado para a hora.

03:06:32] Fernando diz:
olha, mais um zumbi comigo

[03:07:12] Altieres Rohr diz:
<barulho de zumbi do Resident Evil 2>
<mordida>2d6
3 + 2
Fernando perde 5 HP

[03:08:11] Fernando diz:
Como perde? Me dá um d10 aí
já vamos ver essa situação

[03:08:31] Altieres Rohr diz:
<mordida tem drain>Altieres ganha 5 hp

[03:08:44] Fernando diz:
po, mas eu sou zumbi também!
acordado as 3 da manhã… só pode ser zumbi

[03:09:13] Altieres Rohr diz:
<drain em zumbi envenena. veneno de zumbi é perigosíssimo>20d6
6*20 = ?
Altieres morre

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