Começou de um jeito tímido. Depois de ter afastado todos os predadores ao redor, enchido a caverna de carne e inventado o fogo, a vida ficou meio sem graça na pré-história. Sobrou tempo pra ficar de bobeira, e da bobeira surgiu um batuque até legalzinho. Juntaram uns dois ou três batucando mais ou menos parecido, e estava feito o primeiro lual da humanidade.
Alguém consegue agora me explicar como isso chegou a uma indústria milionária que quer colocar propriedade e taxar tudo? Pois bem, aqui estamos, rounds incontáveis dos estúdios versus a internet.
Recentemente Estados Unidos criou um novo cargo, o Czar do Copyright, com uma tarefa bem clara: tratar dos assuntos que violam direitos autorais. Ponto pra gravadoras. Enquanto isso, na sua caverna escura e gélida, a RIAA (Associação das gravadoras americanas) planejava aumentar o preço que cobra pelos royalties, ignorando o efeito que isso causaria nas rádios on line, e nas lojas de MP3 legalizados. Foi aí que a Apple, dona da maior loja virtual de MP3, o iTunnes, bateu o pé e disse “Aí não brinco mais”. Claro, se um gigante dessa magnitude fechasse sua lojinha o baque seria forte demais até para as gravadoras, que foram obrigadas a recuar. Ponto pra gente.
Vemos por outro lado bandas como o Radiohead, que decidiu deixar seu último CD de graça para download no seu site, em alta qualidade. A jogada era simples: pague o quanto achar que vale. Deu certo. Ou quase. O In Rainbows não bateu nenhum recorde de vendas, a maior parte dos fãs preferiu baixar de graça mesmo, mas o faturamento foi maior que do álbum passado. A notícia completa está aqui.
O mago médium macumbeiro doido autor Paulo Coelho participou de uma feira do livro na Alemanha no último dia 15, onde falou sobre os benefícios da pirataria na internet para a divulgação. Aparentemente tem dois jeitos de encarar a pirataria:
1. Eles estão roubando meu lucro! Cortem-lhe a cabeça!
2. Sério? Eles estão divulgando meu trabalho e nem vão cobrar por isso?
Paulo Coelho aposta na segunda ótica. Tanto que deixou alguns dos seus livros para download gratuito no seu site. E dessa vez nem tem a estratégia de “pague o quanto quiser”, é de graça mesmo. Num passe de mágica, suas vendas subiram como um foguete. Mais aqui.
E para a indústria tradicional, que aposta na primeira alternativa, sobra amargar a morte lenta. Mesmo tendo tirado do ar milhares de cópias ilegais de filmes e músicas, fechando o cerco contra piratas, apreendendo computadores até de lan houses (o que os coitados têm a ver com isso?), a pirataria ainda corre solta. Mas vamos ver isso de outro modo: com a invenção dos carros, o que sobrou para os cocheiros? Virar taxista, claro! Mas nem todo mundo vê desse jeito. As gravadores ainda querem que o mundo se adapte a elas, e não o contrário.
A história está cheia de empresas que não se adequaram às guinadas do mercado. Nenhuma delas está aqui para contar a história. Isso diz alguma coisa?
Coloque a música tema de Piratas do Caribe agora para a frase ter um maior efeito (mas compre o CD pra isso!): Não adianta tentar amarrar o progresso com leis sem sentido. A era da internet chegou, o compartilhamento é uma realidade, o velho modelo de negócios quebrou. Agora vamos assistir uma virada espetacular, ou a morte anunciada das gravadoras. Enquanto isso, você pode ouvir o podcast VidaNerd.com. De graça, sempre.


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