Há algum tempo fomos presenteados com a obra-prima chamada Batman: The Dark Knight. E o Batman era só uma figura secundária! Mas quem poderia concorrer com a atuação de Heath Ledger? Esse nerd se trancou em um hotel semanas antes das gravações para estudar o personagem. Ainda me pergunto o que seria estudar esse personagem. Ler quadrinhos? Não importa. O que realmente importa é que Ledger fez a lição de casa, e fez bem. Chegou a fazer Michael Caine (Alfred, o mordomo que nunca envelhece) esquecer as suas falas no set de gravação! Estressado e cansado com todo esse esforço, Ledger pediu ao seu médico que lhe receitasse calmantes e soníferos. O problema foi que o doutor esqueceu da velha pergunta “o senhor já toma alguma medicação?”. Resultado: morte por intoxicação.
Daqui para frente não existe mais Coringa. Não até que toda essa geração morra e o filme apodreça. Qualquer outro que tentar está sumariamente fadado ao fracasso. Mas esse não é o único personagem doido que faz sucesso nas telas. Quem viu a sequência de Jogos Mortais conheceu um cara que ganhou o apelido de “Jigsaw” (quebra-cabeça em português, mas por favor, não traduzam), um assassino que na maior parte do filme sequer tem rosto, e é representado por um boneco de ventriloquismo (verbalizando, isso tudo fica extremamente vergonhoso, não?).
O fato é que o sucesso dos dois filmes revela a nova tendência de vilões nos filmes. Não basta mais ser mau, nem ser só doido: precisa ser doido, genial, engenhoso e ter um propósito. Um resquício disso pode ser encontrado até no primeiro filme da célebre trilogia “Pânico”, apesar de ter servido apenas como um aquecimento para os verdadeiros vilões; alguns deles tão piradamente carismáticos que nos fazem torcer mais por eles do que pelos mocinhos. É o caso de Jack Sparrow e Barbosa em Piratas do Caribe (ou você esqueceu que eles são ladrões?), Magneto dos X-Men, Sideshow Bob dos Simpsons, Saga de Gêmeos nos Cavaleiros do Zodíaco (sim, estou falando sério) e Venom no Homem-Aranha.
Mas nesses quesitos de genialidade, loucura e motivação, ninguém conseguiu superar ainda o Doutor Hannibal Lecter. Aqui estou óbviamente excluindo Heath Ledger como Coringa, já que uma disputa com esse monstro seria injusta. Hannibal canibalizou a própria irmã, sem saber, quando era criança. Acabou prometendo se vingar de todos aqueles que a comeram, e vive com o dilema de ter prometido acabar consigo mesmo. Acho que a partir do momento em que é necessário manter o cara com uma grade na boca além da camisa de força e preso a um carrinho de bujão de gás, ele deve ser considerado como um vilão muito mother fucker.
E ainda nem é hora de falar de Lost, já que nem sabemos quem é o vilão ou não. Ainda me pergunto se eu deveria sentir raiva do Benjamin Linus.
O que diria o Coringa ao Ben? “Why so serious?”


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Eu poderia começar meu comentário fazendo uma longa explanação indagando o título do tópico e sua aplicação no famigerado Coringa. Digo isso porque, para mim, o Coringa não era louco. Na verdade, ele é uma personagem (personagem é substantivo feminino, assim como pessoa) tão singular que nós, em nossa incapacidade de o compreender, acabamos o taxando de louco para nos sentirmos confortáveis.
Todavia, quero apenas me ater a alguns pontos do texto que questiono seriamente. O autor menciona “Não basta mais ser mau, nem ser só doido: precisa ser doido, genial, engenhoso e ter um propósito.”. Pois bem. Que propósito tem o Coringa, por exemplo? Ouso-me a discordar da afirmação.
Para encerrar meu devaneio, gostaria de mencionar um vilão que não foi citado no texto, o que é lamentável, já que se trata do vilão número 1 de toda a história do cinema, segundo uma pesquisa da qual ouvi falar: Darth Vader. E o mais curioso ainda é que Darth Vader passa longe das “qualidades de um vilão” citadas. Ele não é doido, nem de longe. Não chega a ser genial (Darth Sidious sim). Para mim, ele não é engenhoso. E, também, ele não tem um propósito. Ele é apenas uma vítima de um destino desgraçado que foi tirando cada vez a humanidade de dentro dele até que Vader se transformasse cada vez mais numa máquina.
Por fim, concluo discordando que doideira, genialidade, engenhosidade ou propósitos devam ser características de bons vilões. Minha opinião é que um bom vilão precisa ser único. E só. Unicidade é a única qualidade que um vilão precisa ter para se tornar inesquecível.
Que propósito tem o Coringa? Para essa pergunta só encontro duas explicações:
1. Você está brincando, ou
2. Você só conhece o Coringa nos cinemas.
Torço para que seja a primeira opção, mas como você também discorda que o vilão seja louco, acredito que seja a segunda. O propósito do Coringa atesta a sua loucura. Se você não sabe qual é a dele, sugiro um pouco de quadrinhos, que foi onde ele nasceu.
Darth Vader não foi citado exatamente por não se enquadrar no perfil dos vilões do texto. Ele não é genial, não tem carisma, não tem público torcendo por ele (ao menos não um público expressivo).
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